sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Já não fazes parte da Família.
Desde pequena gostava de ter tido o teu afecto; fartava-me de ouvir colegas a falarem da sua família como uma perfeição, sorrirem por ter compreensão, terem aquela mão do Homem que representa a família [...] que os leva a escola e porém além de tudo : Não confunde afecto com dinheiro pousado na mão. Chega a um ponto de desequilíbrio e eu já não sei se há solução para tanto ambiente pesado entre esta casa. Chega de complicações, chega de brigas, está na hora de me deixares viver, a mim e aos meus [...] teu dinheiro não encontra meu amor por ti, aliás, meu amor por ti se perdeu no caminho da infância quando começas-te a desperdiçar-me aos poucos. Não deste valor a uma filha. Deverias ter dado a mão invés de uma nota, devias de ter dado afecto do que prisão domiciliaria, devias ter me feito sorrir, invés teres me feito ter medo de ti. Eu respeito as pessoas que não conheço na rua, respeito a 'você' que não o conheço. Deixa-nos agora. Meu ódio, já não é «ódio», meu nojo, já não é «nojo», é apenas indiferença por ti, seres o «ninguém». Faço de tudo para não te ver, faço de tudo para não te falar. Viras-te cinzas quando te vejo passar aqui, viras-te apenas um pó quando na verdade me falas. Não te vale de nada agora dar-me valor, quando na verdade tu é que não tens qualquer valor nestas quatro paredes. E sabes porquê que escrevi tudo isto só agora ? Quando a Mulher desta casa, a única a quem dou orgulho, me disse que eu não valia nada só por te encobrir quando na verdade eu só queria protege-la de ti. Vai te embora, vai te embora e por favor não voltes. Homem desconhecido que dá ordem e me chama « menina» não vale nem custo. [...] acabo com reticência [...]
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