Vossos Olhos

free counter

Faz parte [...]

Faz parte [...]
ATENÇÃO: Quem quiser retirar alguns textos ou frases por favor usar " [aspas]. Os textos são da minha autoria respeitem esse meu pedido.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Parte de mim, faz parte.

Vou começando a contar aos poucos. Quem conseguir ler tudo, digo um grande Obrigada pela atenção que irá ter, lendo estas palavras. Bem, como eu posso começar não é? Parte de mim [...] desde pequena eu não entendia porque de ter tantas doenças me sufocando todos os dias. Não entendia todos aqueles médicos perseguindo-me por todas aquelas horas cheias de cansaço deitada numa cama vendo a luz da janela raramente vendo o sol batendo nos meus olhos.... Mas poucas eram as vezes que via o sol naquele vidro. Via minha mãe a chorar agarrando minha mão dizendo «vais sair daqui...» quando seria esse dia? Quando seria o dia de eu ver meus irmãos ??
Melhor de tudo [...] o que que eu tinha afinal para estar tanto tempo ali naqueles corredores, naquele quarto... Eu sabia que estava doente e que estava num hospital, porém ter 5 anos, eu entendi as coisas por mais difíceis que fossem.
Meu cabelo estava a cair, sentia-me fraquinha, emagreci muito, via me feia, diferente [...] tive de entrar em algumas cirurgias. Tive de colocar um « cateter»  para fazer uma tal de «quimioterapia» os médicos diziam que era para matar o bichinho dentro de mim. Eu sorria na mesma. Brincava na mesma. Usava lenço na cabeça para ninguém me olhar. mas como veem [...] olhavam na mesma. «leucemia linfoblástica aguda» [...] Mielograma, Transfusões, Quimioterapia [...] que nomes estranhos eram esses que enrolavam minha língua só de pensar nessas letras que teria de saber, ou não... Soube então que se chamava de cancro o «bicho » que me consumia [...] Foram dias de dores a tentar habituar-me às dezenas de comprimidos que tomava durante dia e noite. Todos aqueles exames barulhentos e luminosos [...] ainda lembro quando coloquei meu cateter ... Chorei dias e dias a fio, era de dores sim e não só [...] era também de não poder desenhar. As dores afetavam muito e não conseguia fazer o que mais queria e gostava. Mas vá... Passou. Encontrei então amigos por lá: António e Andreia. O mais velho era o António com 10 anos se não me engano, a Andreia com 8 anos e claro eu era a mais novinha. criei então uma certa amizade com ambos mas como partilhava o quarto com a Andreia, cheguei mais para ela [...] apesar de andar sempre às turras, quando queríamos brincar era «Angelina» que chamava e eu «Andreia». Era meia noite, uma da manhã por aí fora, a fazer corridas pelos corredores frios daquele Hospital [IPO-Porto] . Foi algum tempo que estive perto dela. Até que ela piorou da sua doença e eu agarrei na mão dela e disse «gosto de ti» ela olhou para mim e disse «vamos para o quarto» [...] e fomos nanar. Alguns dias depois separaram-nos e fomos para quartos diferentes mas encontrava-mo-nos todos os dias na sala de brinquedos para brincar. Até que uma manhã ela não veio e achei estranho. Andei o dia todo queixar-me de dores fortes no peito, pensavam que era do Cateter que me magoava, e chorava muito [...] ninguém me contava. Uma semana depois sem noticias dela vejo a mãe dela de negro na recepção e vou perto dela: ''A Andreia??'' e ela responde caindo lágrimas cheias de saudade '' está em casa...'' baixei a cabeça e fui ter com a minha mãe perguntando o que se tinha passado : ''ela não aguentou os tratamentos e foi lá para cima para cuidar de ti'' [...] fiquei doente dias depois, muito mais do que já estava, e num dia, veio meu irmão do meio visitar-me entrando pela porta e começando a chorar de alegria e eu olhava para ele sorrindo escondendo o choro. De repente ouço: ''olá menina'' mesmo vindo da porta, olho e choro muito e porquê? Porque era meu pai. De tantas promessas que me fez ''eu vou aí filha, logo vou aí. amanhã vou. sim hoje vou. amanhã trabalho mas eu tento... etc'' ele veio. pura e simplesmente olho para a minha mãe e paro de respirar, fico fria e meu corpo ficou teso, dada como morta, meu irmão saiu a berrar da porta, minha mãe correndo pelo corredor pedindo socorro... Mães de crianças enfermeiras, chefas, médicos entraram pelo meu quarto dentro, ''tragam a bomba. o Oxigênio, tragam tragam'' enquanto uma enfermeira berrava dizendo isto outra me puxa pelo braço e me bate forte sem piedade nas minhas costas fazendo com que fique pisada por completo e por fim, vomito... Respiro e reagi aos socos da enfermeira pelas minhas costas a baixo. Venho a mim, e digo «o mano?» ... Eu a pensar que tinha sido um sonho... Mas depois, veio uma dor super forte nas costas, e explicaram o que tinha acontecido. Mas tudo bem. foi só um «passar mal» [...] Talvez um mês depois ou , não sei bem mesmo[...] estava eu a conversar com a minha mãe no quarto a dizer que queria ir para casa que não aguentava mais, queria a minha cama, meus brinquedos e queria os manos[...] o doutor estava a escutar na porta com uma papelada. Entra com os pés pesados fazendo barulho como quem diz «tenho uma má noticia» e de repente ouve-se saindo da boca do médico «arrume as tralhas e vá para casa» eu na cadeira de rodas... salto abraço minha mãe e digo: 'vou para casa mãe ouviste??' minha mãe nem piou. Vesti-me arrumei-me... Entro no carro do meu pai com os meus tios dentro etc [...] chego a casa e não vejo ninguém. Vazia a rua da minha casa. Meu pai disse «sai quando eu disser» Tive nem 5 minutos dentro do carro... Ponho um pé fora... logo logo, os dois e por fim vou até ao fim da escada e olho para cima: Vejo a minha família, alguma de frança e outra de cá, me esperando e chorando baba e ranho, Minha prima Francesa não me largou por um segundo e só me beijava e chorava ''estas aqui Angelina'' eu , pequena, olhava, sorria e dizia ''sim estou''... Demorou habituar me ao ar livre de cá de fora, demorou a andar por lá, só caia, só esmurrava joelhos de tanto cair... Andava eu de lencinho e de máscara na cara para não respirar diretamente aquele ar tão pesado. Mas passou. Voltou tudo ao normal. Tinha de ir ao Hospital todos os dias, depois passou a semana a semana, depois mês a mês, e agora Ano a Ano. Na ultima vez que lá fui a Setembro de 2011 meu médico disse «daqui a um ou dois anos tens alta...estas curada por completo já há muito tempo» Fiquei feliz sim. Mas vou ter saudades de entrar e Todos me dizerem «olá Jolie. olá bailarina. Olha a artista que grande. ola princesinha»
Já tenho saudades só de me lembrar de todas aquelas enfermeiras e médicos de todos os estilos e falas diferentes [...] foi um tempo. Uma fase. Faz parte de mim, não foi «muito mau» foi apenas uma história que adoro relembrar e contar desde, aos mais pequenos até aos grandinhos. Bem acho que contei tudo não? Quer dizer : Quase tudo [...] Agora tenho uma última coisa a dizer: eu que passei por muito, e não só passei por isto, mas por muito mais, coisas inigualáveis ao pensamento de alguém. Não desisti de quem eu sou. Não desisti de mim. O amor próprio, é o principal [...] acabo isto com reticência [...]



sexta-feira, 6 de julho de 2012

Um ser.


Serem fotocópias de outros não fazem de vocês «diferentes»
Vocês querem dar nas vistas, mas com isso só sois Crentes !
Criai um estilo e personalidades vossas
Diferente, criativo , coisa que tu possas
O vizinho ao teu lado não tem de ser igual a ti !
Pára de imprimir alguma cena que já comi.
Poóóóh [...] eu também já fui assim
Criei estilo que só olhavas e dizias 'EMFIM'`
Chega chega chega de conversa chata,
muda se quiseres, se não quiseres sê 'atão «camarata»
Aquele que vê tudo e todos e nada mais lhe importa
Se não importa, o que mostra é a personalidade «morta»
- deixai o redor, olha somente para onde te situas. o Resto? és tu que o constróis se assim o quiseres .